LOBO-GUARÁ
Chrysocyon brachyurus

Bicho do mês de janeiro de 2012

Apesar de ser confundido com o lobo-mau, este representante da família dos canídeos não tem nada de mau. O nome científico do lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) significa "cachorro dourado de rabo curto", do grego "chryso" (dourado) e "cyon" (cão), e do latim "brachy" (curto) e "urus" (cauda).

Diferentemente dos outros lobos que vivem em matilhas o lobo-guará é solitário e tem hábitos alimentares onívoros. Ele costuma alimentar-se de frutas, principalmente a lobeira, e pequenos vertebrados como roedores, tatus, marsupiais e insetos. Não costuma predar ovinos e bovinos, pois não possui mandíbulas poderosas. Mas, frequentemente quando o lobo-guará se aproxima de fazendas e áreas agrícolas, quase sempre é caçado e morto, porque os fazendeiros acreditam que ele é um insaciável devorador de galinhas. Na realidade, a cada galinha que o lobo-guará mata para se alimentar ele consome entre 50 a 70 ratos, o que ajuda no controle de pragas.

Pode ser observado aos pares no período de reprodução que geralmente ocorre entre os meses de abril a junho. O período de gestação varia de 60 a 65 dias e os filhotes costumam nascer em setembro. Geralmente nascem 2 filhotes com pelo negro e quando os filhotes nascem a fêmea permanece na toca e é alimentada pelo macho.

O lobo-guará ocorre o norte o nordeste da Argentina, Paraguai, norte e leste da Bolívia, extremo leste do Peru e norte do Uruguai. No Brasil é encontrado nos biomas Pantanal, Campos sulinos, Cerrado, além dos Campos Gerais – domínio Floresta Atlântica no sul do país.

Está ameaçado de extinção pela destruição ou fragmentação do ambiente ocasionada pela expansão agrícola e urbana ou por incêndios acidentais reduz a qualidade das áreas de ocorrência do animal, provocando a redução de alimentos, de água e de áreas para proteção e abrigo. Além disto, as populações podem ficar muito isoladas, distantes umas das outras não havendo cruzamento entre animais de diferentes áreas. Isto pode provocar redução da diversidade genética e comprometer a sobrevivência da espécie.

O contato dos lobos-guarás com as comunidades humanas e com os animais domésticos é um aspecto não muito estudado. Este contato pode ser responsável pela transmissão de doenças desconhecidas para os lobos ou pela intoxicação dos animais com produtos agrícolas e venenos utilizados para exterminar pragas como ratos.

Atropelamento, o tráfico ilegal e a caça, tanto esportiva quanto por motivos culturais, são outras ameaças à espécie. O lobo é visto como um caçador de galinhas e filhotes de outros animais domésticos. Sua pele é altamente valorizada em países como a Argentina e em algumas regiões seus olhos e sua cauda são usados como amuletos.

 

 

Reis, N. Mamíferos do Brasil. Londrina, 2006.
Disponível em http://ciencia.hsw.uol.com.br/lobo-guara2.htm Acesso em 13/01/12



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